Um sonhador de utopias

Como protestantes vivendo em uma comunidade eclesiástica, entendemos que o sonho é uma ferramenta muito importante na vida de um homem que quer alcançar algo ou a plenitude da integridade. Neste artigo eu quero falar do “sonho” não em seu sentido literal, mas como sinônimo de fantasia, ilusões ou porque não dizer vagamente ideais e objetivos que buscamos em nossas vidas. Através dos nossos sonhos conseguimos manter a esperança; e a esperança nos faz crer e continuar em busca de ideais que alimenta nossas almas; por mais que eles sejam ilusórios, utópicos.

Compartilhe comigo dos meus sonhos... ... ...

Eu sonho com uma Igreja onde não impera a hierarquia ministerial.
Eu sonho com a igualdade entre pastores, membros, mestres, presbíteros, diáconos; levando em consideração que estas funções não são escalas hierárquicas, mas meios que Deus deixou para que sua igreja não tivesse falta de nada, até a volta de seu Senhor.
Eu sonho com uma Igreja onde os pastores estão ali para servir e não esperando para serem servidos.
Eu sonho com a eternidade com Cristo, onde todos seremos iguais em tudo, principalmente quando estivermos adorando ao nosso Senhor e Rei.
Eu sonho com momentos voluntários de adoração ao nosso Deus, sem que alguém me diga o que fazer, como falar com Deus, como me apresentar diante Dele, se de terno ou de camisa e calça jeans, ou até mesmo de short, se em pé ou de joelho. Aliás, Deus não vê o pecado nos membros de nossos corpos, Ele conhece cada detalhe em nós, cada célula por dentro e por fora, para Ele não faz diferença estarmos nus ou vestidos, os nossos atos é que são reconhecidos por Deus para o nosso bem ou para o nosso mal.
Eu sonho com uma Igreja onde o silêncio também é cultivado, onde a meditação é respeitada e não tida como um sinal de pecado e falta de espiritualidade.
Eu sonho com uma Igreja onde, em alguns momentos, o silencio é entendido como, estar calado para ouvir Deus falar.
Eu sonho com uma Igreja moderada, de atos serenos e brandos, de atitudes pacatas e liturgias espontâneas, sem ritualismos, legalidades e religiosidades.
Eu sonho com reuniões de culto ao Senhor onde, cada gesto, cada sorriso de uma criança ou de um velho, cada olhar de um irmão ou palavras por mais simples que seja, entre em nossos corações de forma edificante e consoladora; onde cada louvor e cada hino façam a nossa alma e nosso espírito saltar de júbilo e alegria por amor ao Salvador.
Eu sonho com uma Igreja onde cada momento, cada segundo pela espera de uma nova reunião seja desejado por nós com grande expectativa; e que cada momento de adoração seja novo e celestial, e não algo intediante e cansativo como de praxe está ocorrendo no nosso meio eclesiástico.
Eu sonho com uma Igreja que respeite a individualidade, o temperamento e a singularidade de caráter de cada irmão em seus momentos de adoração.
Eu sonho com uma igreja onde o ensino de Paulo a respeito de ordem e decência é respeitada.
Eu sonho com uma Igreja onde haja adoradores e não imitadores de cangurus, macacos, sapos, cobras e sacis pulando num pé só; e ainda com a cara mais lavada dizendo que Deus está agindo no meio da Igreja.
Eu sonho com uma Igreja aonde os pastores primam pelo ensino da palavra com temor e tremor, sem usá-la de forma inescrupulosa defendendo seus próprios ideais e ascetismos deturpados, sem coerências bibliológica.
Eu sonho com uma Igreja onde o pecado não tenha escala métrica ou de pesos e medidas.
Eu sonho com uma Igreja onde os adúlteros, os fornicários, e todas as outras classes de pecados não sejam relacionados em níveis de “pecado, pecadinho e pecadão”; mas que todos estejam em um mesmo nível, e sendo assim, quando houver algum delito, sejam advertidos e exortados com mansidão e amor, e quando não houver arrependimento sejam submetidos às disciplinas.
Eu sonho com uma Igreja onde a pratica é sua maior característica de amor a Deus; onde o órfão e a viúva são amparados, aonde o faminto vem pedir o pão e é saciado, e quando despedido, não irá embora de mãos vazias.
Eu sonho com uma Igreja que demonstra o seu amor a Deus, amando o seu próximo; pois como amaremos a Deus a quem não vemos se não amarmos aos nossos irmãos que estão diante de nós.
Eu sonho com uma Igreja tolerante, transigente, que sabe (dentro dos limites estabelecidos pelas Escrituras) suportar os erros, as faltas, os defeitos e fraquezas uns dos outros, pois como disse o próprio Paulo:

“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”; (Col 3.3).

Eu sonho com uma igreja onde haja interação e carência entre os irmãos; e que cada um não se considere superior ao outro, mais que siga o ensino de Paulo quando disse:

Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo”.(Filipenses 2.3).

Eu sonho com uma Igreja onde cada um se sinta como aquele publicano mencionado por nosso Senhor em uma parábola, onde batia no peito de cabeça baixa e dizia:

Ó Deus seja propício a mim, pecador!”(Lucas 18.13 parte c)”.

Eu sonho com uma Igreja que não vive como aquele fariseu que de cabeça erguida se autojustificava dizendo:

Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano”; (Lucas 18.11 parte b).

Eu sonho com uma Igreja que não impõe condições a Deus para servi-lo, nem o encostam na parede como se Deus fosse um empregado ou um devedor que estivesse sendo pressionado pelo seu credor para que lhe pague a dívida.
Eu sonho com um povo que O ama, não por aquilo que Ele pode dar mais pelo que Ele é.
Eu sonho com uma Igreja que O ama incondicionalmente e sem restrições.
Eu sonho com uma Igreja onde as palavras, os ensinos, as ordenanças e dogmas do pastores, mestres e anciãos não são aceitos de forma tão suficiente e platônica.
Eu sonho com uma Igreja onde a bíblia é tida como superioridade em questões doutrinárias, estatutárias e culturais.
Eu sonho com uma Igreja de crentes bereianos, que não são levados por qualquer ensino, dogma ou ventos de doutrinas que vão de encontro às suficiências da graça abundante de Deus revelada em Cristo Jesus.
Eu sonho com uma Igreja que seria reconhecida pelo nosso meio secular como uma sociedade de contraste neste mundo, mas que não é deste mundo, ou seja, não corresponde às estruturas deste mundo.
Eu sonho com uma Igreja sem máscaras.
Eu sonho com uma Igreja com vinho novo em odres novos.
Eu sonho com uma Igreja sem rotos em pão novo.
Eu sonho com uma Igreja sem estar levedada por fermento velho.
Eu sonho com uma Igreja cheia da simplicidade primitiva dos nossos Apóstolos, contudo, poderosa e cheia de virtude e plenitude espiritual; e não com uma “denominação” (ordinariamente falando) poderosa e cheia de si, tendo como causa não a virtude e plenitude do Espírito; mais o marketing e a merchandagem usados pela mídia, em torno de seus pastores e pregadores.
Eu sonho com uma igreja,...,..., Como Thomas Morus, um famoso escritor inglês (1480-1535) disse: irrealizável, quimérico, utópico.
Eu sou um sonhador de utopias, que acredita em uma igreja perfeita, indiscutivelmente santa, mais não para esta era ou dimensão visível e palpável; mais para uma dimensão que vai além da nossa imaginação, conhecida pelos cristãos verdadeiros e sonhadores como eu de: “Céu”.
Eu sonho com uma igreja perfeita em um lugar perfeito, assim como sonhou Ingrid Anderson Franson ao compor o hino “No céu não entra pecado” harpa cristã - 422
Um dia todos os meus sonhos... e de muitos outros serão realizados, e então, nunca, jamais sofreremos ou choraremos de novo.


ex toto corde.
Cícero de Souza

2 comentários:

fabianosneto disse...

a paz do Senhor amado irmão, ao pesquizar na rede mundial de computadores, sobre um assunto que estou a escrever, me deparei com seu blog, especificamente com este artigo "um sonhador de utopias", e so tenho a disser: Parabens.
quando ao le-lo, todas as palavras sitaçoes, pareciam vir de mim mesmo, o engraçado e que tudo que consta ai sempre fez parte de minhas ideologias, eu sou um presbitero e ja tive serias discurções no ministerio por causa de meu geito singular de questionar.
não quero ser um anarquita, longe de mim tal. mas algumas coisas podemos sonhar e questionar e queira Deus que elas aconteçam, bom o importante e que quero te pedir a permição para poder publicar este comentario nunha parte do trabalho que estou fazendo, será um livro falando sobre a harpa cristã, seus hinos, historia, autores, compositores, etc..
espero sua resposta meu email.: fabianosneto@hotmail.com

CONFERENCISTA CARLOS GOMES disse...

e verdade !!